Hegemonia no varejo, guerra no atacado
economia política dos homicídios e regimes regionais de conflito na zona da mata mineira
DOI:
https://doi.org/10.31994/rvs.v17i1.1081Palavras-chave:
porto seco criminal, Logística Criminal, Zona da Mata MineiraResumo
Este artigo analisa a divergência nos regimes de regulação da violência letal entre o polo regional de Juiz de Fora e o centro logístico de Ubá (MG), no biênio 2023-2024. A partir de dados da SEJUSP/MG e da operacionalização de critérios técnicos de materialidade (volume, acondicionamento e tipologia do insumo) e de circulação (análise da malha viária regional), o estudo distingue empiricamente a dinâmica do varejo de consumo daquela do atacado de distribuição. Articulando os conceitos de circuitos lícitos-ilícitos (Telles), mercadoria política (Misse) e governança criminal (Feltran), investiga-se o paradoxo da redução de homicídios na cidade polo em contraste com a persistência do conflito na cidade média. Os resultados indicam que, enquanto Juiz de Fora apresenta indicadores de estabilidade regulatória — evidenciada pela baixa variância das taxas e pela baixa incidência de confrontos armados intergrupais visíveis —, Ubá manifesta um regime de concorrência armada, caracterizado por sinais de instabilidade de comando e por dinâmicas recorrentes de retaliação. Argumenta-se que a posição nodal do município nas rotas que contornam o cinturão metropolitano oferece uma ancoragem espacial plausível para a proposição da categoria analítica de porto seco criminal. Conclui-se, sob a ótica da administração de conflitos (Kant de Lima), que a letalidade em Ubá opera não como anomia, mas como método de gestão de mercado em um entreposto onde a soberania permanece indefinida.
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