Configurações institucionais e condições de possibilidade para a inovação popular
a Lei 14.746/2023 e os arranjos locais em Juiz de Fora/MG
DOI:
https://doi.org/10.31994/rvs.v17i1.1084Keywords:
Inovação popular, Estratégia como prática, Centros de Inovações Populares, Políticas públicas, Cidades médiasAbstract
Este artigo analisa como a Lei n. 14.746/2023 e os arranjos institucionais locais de Juiz de Fora/MG configuram condições de possibilidade para práticas alternativas de inovação em contextos de economias assimétricas. A pesquisa, de natureza qualitativa e caráter exploratório, baseou-se em análise documental de legislações, relatórios institucionais e materiais produzidos por atores locais, como o CRITT/UFJF, o Moinho e o SIMI-JF, referentes ao período 2023-2025. Ancorada na perspectiva da estratégia como prática social, especificamente na dimensão das práticas como repertórios normativos e institucionais, e na abordagem dos vazios institucionais, a pesquisa identificou três eixos de configuração estratégica: (i) o reconhecimento discursivo-normativo de empreendedores populares como agentes legítimos de inovação; (ii) a configuração de arranjos institucionais locais de apoio; e (iii) a institucionalização de modelos frugais e territorialmente enraizados de negócio. Como achado complementar, o estudo identifica indícios iniciais de abertura a circuitos de internacionalização alternativa, ainda insuficientes para configurar um eixo empírico consolidado. Os achados sugerem que os Centros de Inovações Populares (CIPs) podem ser analisados como dispositivos institucionais que inscrevem novos repertórios estratégicos disponíveis para empreendedores periféricos, contribuindo para a reconfiguração de ecossistemas de inovação em cidades médias.
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